Que sou eu *Mauri Zeügo*

Meus caminhos intermináveis trouxeram-me até aqui, meus dias de alegria, tristeza, risos e cara feia. Sou tudo e nada. Feito um gato vadio que de telhado em telhado sempre encontra um cesto quente com um novelo de lã ou linha velha que nos remetem aos dias da infância. Tão saudoso à família sou eu. Nos últimos anos tenho tentado ser mais homem e menos animal, raciocinar sempre ao invés de seguir instintos que provocariam uma guerra. Sou humano enfim, tenho meus anseios e desejos e com esses, posso ser o que eu quiser. Cada pessoa tem seus defeitos e qualidades, porém, são os pequenos detalhes que nos tornam cada vez mais especiais e únicos. Sou Mauri Eurico Santos Zeügo e este é meu mundo. Seja Bem Vindo!

Mauri (14.01.1999)

sábado, 16 de abril de 2011

Leito (14/05/2011)


Esse mesmo leito quente que me envolve e me protege, faz-me agonizar ainda mais pelas horas que caminham e transcendem translucidas pelos ponteiros quase transparentes do relógio.
A pouca luz que preciso é a mesma que precisa ser dividida para dois corpos, que ansiosos ocluam a chegada do anjo maqueiro de olhos altos, semblante sério, face suave e beleza neutra. O mesmo, ao caminhar até a porta traz a notícia de que sou o próximo e que preciso de certo estar despido para que não haja maiores problemas caso uma grande complicação venha a ocorrer.  A espera calma e ao mesmo tempo preocupante é o elo entre o correr das pequenas rodas da maca e o chão frio e branco do centro cirúrgico.
Ao mostrar a face aos meus protetores, vem logo a estranheza e o reconhecimento de um simples corpo deitado ali. Meus grandes olhos saltaram, meus lábios racharam ainda mais e a preocupação cedeu aos encantos de beleza tamanha, encontrada somente lá, dentre tantos locais, aquele que abrigava belos semblantes, seria o antro da salvação minha.
Ao perceber o olhar tênue e direto em minha fonte, o homem que acalma anestesiando o corpo e relaxando a alma, olha-me e diz: “Relaxe e respire lentamente... lentamente... lentamente. Após a tosse obtida por conta do gás anestésico, o sono é profundo, mas os instintos do corpo humano falam mais alto e mesmo a milhões de segundos longe dali, sob o efeito da anestesia, encontram-se meus ouvidos, funcionando de forma clara. Ouve-se de tudo, desde “Pegue o algodão, molhe o bisturi”;  até o momento da reanimação geral. 
“- Rapaz, acorda, acorda, acorda...”
Sem muitas experiências vividas diante tal gênero clínico, sei que essa foi uma das mais interessantes já ocorridas comigo. A anestesia geral pode ser definida como a paralisia controlada, irregular e reversível de células do sistema nervoso central, determinando a perda da consciência do paciente. É possível que essa paralisia seja devida a fatores, químicos ou físicos (elétricos ou térmicos), embora atualmente sejam utilizados comumente meios químicos para obtenção da anestesia geral. Em raros casos, algumas pessoas não reagem corretamente aos efeitos da anestesia, tendo reações drásticas após uma cirurgia.

Mauri Zeügo