Que sou eu *Mauri Zeügo*

Meus caminhos intermináveis trouxeram-me até aqui, meus dias de alegria, tristeza, risos e cara feia. Sou tudo e nada. Feito um gato vadio que de telhado em telhado sempre encontra um cesto quente com um novelo de lã ou linha velha que nos remetem aos dias da infância. Tão saudoso à família sou eu. Nos últimos anos tenho tentado ser mais homem e menos animal, raciocinar sempre ao invés de seguir instintos que provocariam uma guerra. Sou humano enfim, tenho meus anseios e desejos e com esses, posso ser o que eu quiser. Cada pessoa tem seus defeitos e qualidades, porém, são os pequenos detalhes que nos tornam cada vez mais especiais e únicos. Sou Mauri Eurico Santos Zeügo e este é meu mundo. Seja Bem Vindo!

Mauri (14.01.1999)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Haicai Fúnebre

-->
"Homem nasce;
Vida mata;
Morte leva.."

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A velha árvore de memórias (14/11/10)


 A velha árvore seca das memórias continua ali – Ininterrupta, firme e grandiosa.
A velha arvore seca das memórias segue com sua vida – Única, valiosa e natural.
A velha árvore seca das memórias prossegue em seu fluxo – Continuo, inacessível e rude.
A velha árvore seca das memórias vai-se com o tempo – Gigante, impagável e incorrupto;

Os galhos do velho tronco lenhoso de memórias guardam os sentidos e a direção certa.
Cada galho do grande e velho tronco lenhoso de memórias suporta o tempo com suas dores.
Galho a galho, continua ela secando e drenando ainda mais os sonhos, desejos e felicidades.
Quando os galhos se quebram, desaparece um sonho, um desejo e uma felicidade;

Ao chão, restam elas – as folhas secas que depositam a pequena esperança marrom.
Ao chão, estão elas – as folhas laranja, abóbora, marrom e cor de mel em toda sua alegria.
Ao chão, resistem elas – as folhas que sobem com um simples redemoinho ventoso.
Ao chão, separam-se elas – as folhas que somem em meio a mais e mais folhas;

As raízes dessa magnífica árvore ficam a espreita dos impasses e devaneios.
As raízes dessa majestosa árvore recolhem os sonhos que não deram certo.
As raízes dessa esplêndida árvore removem do solo os fracassos e infelicidades.
As raízes dessa única árvore velha de memórias suportam todos os versos agonizantes que gritam sempre:
 “A grande e velha árvore de memórias está morrendo e somente a voz que canta, a mão que escreve e a mente que pensa, poderão tornar a situação em algo bom.”

A árvore um dia lembrar-se-á de que fora a mente humana trabalhando em conjunto.
Os galhos firmarão contrato com as idéias e tomarão posse das boas e más lembranças.
As folhas precipitar-se-ão em colher as memórias e levá-las junto aos ventos.
Por sua vez, as raízes negar-se-ão sua existência, apenas em respeito às memórias falhas dessa velha e grande árvore intrépida de memórias...

Mauri Zeügo

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Somos putas também (14/10/2010)

O que mais encanta, fora extraído lá do fundo e veio como aquele antigo tiro que saiu pela culatra. Mas não foi plano algum, esperar a misericórdia encardida como roupa de verão chuvoso, faz rolarem as lágrimas.
Talvez, o grande aperto humano no peito é o resíduo e também o resultado da ação desumana dos ímpios. Aqueles que, por algum motivo deixaram de crer em suas crenças, preces e outros meios de vivência.  Perder a credibilidade após colher todos os frutos do dia-a-dia, faz-nos aquietar e tomar de vez a vergonha na cara, como fôssemos as “putas” de um bordel fétido, que vendem o corpo e resguardam a alma, por um pouquinho de dignidade.
O resultado desse mesmo fato comum tão “incomum” à mão que fere o interior do homem sem pudor, sem avisos prévios é a mesma frieza dos caprichos que plantamos a cada nova manhã. Enquanto o relógio não para com seus ponteiros e as horas correm incessantes, a parte “homem-mulher” que reside dentro de todos nós, foca nossas pequenas metas num curto texto sem pé e nem cabeça. Vão ditando regras, normas obsoletas, perfis sem nomes e marcam ainda, a solidão nossa.
Os tempos mudaram e a vida tornou-se um quadro pintado de cinza, em poucos segundos, as cores deram lugar para os intrépidos delineamentos da arte do mundo, a arte afogada que sempre apodrece o ser – A arte da vida vivida de forma inconstante.
Esse é o resultado e o preço a se pagar por ter pecado, machucar e ferir mortalmente a “felicidade” de um alguém sem cor, sabor ou que até mesmo, ficou assim por ter dado a vida por outra pessoa.

Mauri Zeügo

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O homem de terno preto (14/09/10)

A volta pra casa fora constante. Após a excitação ter sido calada pelas mãos do jovem amante, a jornada tinha se tornado tão silenciosa e arrebatadora. O silencio que havia tomado conta do corredor do grande metal em oito rodas, sublimava ainda mais a freqüência entre as gotas do sereno na Serra e o suor frio dos poucos daquela viagem. Um deles, só pensava em voltar e contar às poucas pessoas de confiança sobre a primeira e grande viagem de toda a sua vida, o outro só queria se livrar daquele estranho tormento. Aos poucos, a sintonia entre os dois era favorecida apenas pelo encosto dos assentos que situavam bem próximos um do outro. Morro abaixo e ambos continuavam na frieza do ser e com o bater incessante dos corações, querendo pular pela boca e se livrar daquele grande mal. Para muitos, aquele bater no peito não era o coração dizendo o quanto um amava o outro, mas sim dizendo: “Por favor, liberte-me!”. Ao longo do caminho, seguiam as idéias malucas, seguidas da ideologia urbana e comensurada daquele tempo em que o namoro era a meta. Esse foi o engano que afogou o grande rio das emoções infantes, os “moleques” já eram homens ou quase isso e pouco sabiam sobre a inquietude da palavra amor. O muito e o tudo que sabiam era sobre a vida de cada qual -  Um viver urbano e um viver de tal grau lôbrego que encantava aos muitos. Pelo vidro embaçado, via-se a solitude por entre a névoa branca e os poucos seres que sumiam por estrada adentro. Quando enfim, surgiu a noite limpa e os resquícios dissiparam-se, desciam os dois jovens com poucas palavras e atordoados pelo som do “vento uivante” que adentrou pelas janelas por toda a viagem.
Poderiam depois, lembrar-se do mar, do ar da Serra, da orla calma e de todas as coisas boas que viram juntos, mas como aquele amor estava por se acabar, a única lembrança na caixinha de memórias fora apenas o homem do terno preto, à espera de sua viagem num ponto distante e utópico. E o fato mais estranho entre tantos – “Nenhum dos dois lembraram-se de o porquê estarem lá e nem o porquê de se aventurarem juntos naquela viagem sem volta e que jamais lhes dariam respostas...”

Mauri Zeügo

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Tão Distante (14/08/2010)

Tão distante, mas tão dentro de mim. Ficou difícil sanar a ferida que causou tamanha dor. A imensidão dos teus passos distantes na rua e o som da tua voz intercala sempre com o vazio deixado aqui dentro.
Os questionamentos inválidos derrubam sempre e sempre a falsa esperança de um dia você voltar, olhando em meus olhos e dizendo: "Voltei e quero você". Esse é ainda o "brilho opaco" que desencadeia os desejos de te falar hoje, sobre o que ainda sinto por você. Dia após dia, noite após noite penso e sonho com sua imagem enfraquecida aos redores, sumindo, distanciando-se, mas ainda assim, viva. Eu sei que algo não pode terminar assim. A distância entre o metal frio e concreto aquecidos pela grande onda de calor emitida por meus olhos, de tanto fixar na imagem tua em qualquer ponto, mostraram o quão grandioso e importante você fora pra mim. Faltam-me risos nessa hora, quando então percebo a primeira lágrima rolando... A primeira dentre tantas, mas a primeira depois de um ano todo.
Acreditei não sentir mais nada e jurei jamais procurar teus olhos novamente, mas o lado de cá se tornou insuportável por conta da indiferença tua e da minha própria arrogância. Muitos me procuram, tantos outros me desejam, uma boa parcela deles me odeiam, pelo mesmo fato que hoje essas entrelinhas levam-me até você.
Nesse exato momento, o mundo dos outros gira muito mais e melhor que o meu. O sistema planetário da comédia e da miséria humana gira sempre contra o relógio e leva minhas horas sempre... Meu canto de paz e sossêgo tornaram-se o berro estendido por dias e noites. Tudo está parado agora - o céu, as nuvens, as árvores e o meu coração também. A pior coisa entre tantos outros fatos é exatamente essa - Meus dias dependem mais de mim do que de ti, mas preciso ter-te por mais três minutos agora, para saber que nosso poema se acabou e isso já durou toda uma eternidade. Preciso voar sozinho...então, liberte-me!

Mauri Zeügo

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Bloco de notas II (14/07/10)


Enquanto estava a dar a primeira mordida em meu lanche, vi-me numa dúvida cruel: "O que me traz a esse teu bloco de notas novamente?"
Não pelo fato de eu ainda pensar em você, mas sim porque existem fatos sem sentido e sem respostas. A obviedade da situação triturou o reboque oco das paredes de minha memória, abriu-se então aquele buraco de questionamentos e perguntas sem respostas. Seguindo o instinto, estaríamos estacionando novamente na mesma calçada ou banco de praça, seguindo o coração, estaríamos fadados ao engano utópico de nossas próprias emoções esguias e superficiais. Fomos caprichosos demais e o que invade à mim hoje, é aquela emoção dos primeiros dias que pra ti, foram mais importantes em anos, fora o maior acontecimento de toda a sua vida. Acreditamos num espaço só nosso e tão somente "nosso" à ponto de largarmos tudo de mão e pularmos no mesmo poço. O grande e maior problema, foi o momento em que larguei suas mãos e preferi que você caísse sozinho, me segurei nos meus ideais malucos, escondi-me em minha fortaleza e fiquei rodeado com meu escudo e meu mundo girou em torno daquilo que você me dizia sempre: "Seu jeito estranho vai acabar com você. Abra-se ao mundo e viverá mais". Talvez o erro tenha sido esse. Mas, o que passou, passou e não volta mais. A regra do "aceite" só era válida aos que entendiam meu mundo e não somente o mundo em que vivem aqueles fadados a urbanidade mundana em que você vivia.
Meu lanche acabou esfriando e essa dúvida ainda está aqui: "Se sabias o que aconteceria comigo, cedo ou tarde, porque voltou?"

Mauri Zeügo

Flores de fevereiro (14/05/2010)


“Vento bate,
Flores caem,
Vento leva”

Mauri Zeügo