Que sou eu *Mauri Zeügo*

Meus caminhos intermináveis trouxeram-me até aqui, meus dias de alegria, tristeza, risos e cara feia. Sou tudo e nada. Feito um gato vadio que de telhado em telhado sempre encontra um cesto quente com um novelo de lã ou linha velha que nos remetem aos dias da infância. Tão saudoso à família sou eu. Nos últimos anos tenho tentado ser mais homem e menos animal, raciocinar sempre ao invés de seguir instintos que provocariam uma guerra. Sou humano enfim, tenho meus anseios e desejos e com esses, posso ser o que eu quiser. Cada pessoa tem seus defeitos e qualidades, porém, são os pequenos detalhes que nos tornam cada vez mais especiais e únicos. Sou Mauri Eurico Santos Zeügo e este é meu mundo. Seja Bem Vindo!

Mauri (14.01.1999)

domingo, 26 de outubro de 2014

Maestria - Ato 1 (Dia 26.10.2014 )

A vida é como um jogo de xadrez, cada jogada errada e cada ato insensato nos leva a derrota.
Acreditei sempre ter um alguém olhando por mim, assistindo e percebendo os meus erros e enganos, sucessos e frustrações. Ato falho meu, pois assim como um segredo infame, coloquei-me novamente diante as garras dos leões, prestes a ser revelado pelas más línguas e devorado pelos dentes insanos dessa trupe circense num espetáculo triste e sangrento.
É como descer ao Tibre e voltar numa redoma de fogo e envolto de uma angustia incessante, o gosto insosso e o amargo fel que desce pelas vias que nutrem nosso corpo, misturam-se com as tantas decepções da vida nossa.
Por tanto sofrer de amor e na decorrência das dores humanas, hoje sei que uma das coisas mais derradeiras da vivência enquanto homem é ser humano demais.
Volto aos meus primeiros versos da vida e trago comigo as lembranças inquietantes a qual as chamo de memórias - As mesmas que se uniram ao longo do tempo e chegam aos dias últimos como golpes de um mangual atroz que de tanto peso, tira-nos a massa do corpo, esmagando até mesmo a sensibilidade notória que existia em nós antes mesmo de nascermos.
Enquanto as pontas dos dedos tiverem vida para sentirem o calor das palavras e enquanto os pincéis mais rústicos tiverem tingido a grande tela cefálica e o grafite colorido pintar de anil os ladrilhos sem cor que é a vida, teremos assim motivos para continuar recortando com perfeição nossa longa caminhada pelos anais de nosso ciclo.
Acreditando sempre que a vida seja forme e disforme, nítida e opaca, real e irreal, poderemos sentir que a queda nesse grande poço sem fim nos faz mergulhar e voltar num impulso tão denso que a tensão causal não suporta a pressão e insiste em dilatar pelas vias de fato.
Uma sensação de perdição toma conta da gente como se fosse um ato último e intrínseco de uma peça atuada pelo corpo nosso, a dor que dela emana precocemente ativa a sensação derradeira de querer e poder, motivando-nos a deixar de lado a vontade de viver e querer sentir apenas o soro alvo da vida, aquele mesmo soro que nos alimenta e que nos faz fantasiar de uma forma tão pura e bela que acarreta-nos milhões de espaços vagos dentro de nossa mente.
 A loucura em si é um ponto comum a todos nós e a troca de dimensões nos empurra a um universo diferente e novo. Seja da insensatez e da normalidade, seja da ação e ou da reação.
Nas minúcias da existência sórdida, encontramos a inocência infante e é dela que devemos aproveitar todo o conhecimento possível, preparando-se para o mínimo, sendo a morte a parte comum de todo um contexto. E não é mesma a coluna vertebral que sustenta o ser.
A violência sub-humana que corrói os homens em momentos insanos explica que a escuridão existe dentro de todos. Basta apenas saber o momento certo para que a mesma se revele no mais dócil dos corações. Uma questão de tato, visão, pureza e humanidade, lógica e compreensão. Pelo mesmo fato, sei hoje que o coração dos homens é a terra onde ninguém quer caminhar de verdade, um lugar sombrio e com a nítida visão de desprezo pelos verdadeiros sentimentos que predominam diante um trono envolto de suposições poligâmicas e diretamente fetais, onde o carnal não tem vez.
Num risco extremo, seres comuns recorrem à autoajuda, ao abraço paterno, ao colo materno, ao ombro amigo e até mesmo ao seio lascivo que leva homens e mulheres a loucura tropical, sugando de ambos a energia vital dos baixos territórios, drenando o suor somente com o poder da pele e do toque quente das mãos. Os pensamentos vão longe nesse momento, lembrando-se do primeiro beijo, dos primeiros lençóis e toalhas compartilhados com amor e também não. Ah, a vida repleta de surpresas nos dá e rouba com a mesma habilidade de um jogo de xadrez em uma tarde com folhas de outono.
Quanto ao fim de tudo – O que é o começo, o que é o meio e o que é o desenvolver dessas tantas histórias amorosas que começam, desenvolvem e nunca terminam?
Para todos nós, os eternos apaixonados sem jeito, por que nunca conseguimos finalizar uma paixão para poder começar um romance amoroso e finalizar com um beijo último de amor e entrega sem que exista um adeus?
E no fim de tudo, somos todos loucos, insanos, apaixonados e rancorosos querendo sobreviver feito jogadores que agem com eterno blefe, somente pelo prazer de um dia poder dizer que sorriu, chorou, silenciou, gritou, odiou e amou. Completando assim um ciclo ético visceral e sem sentido, na qual a natureza das coisas não mais importa e o fluxo da vida seja repleto de doutrinas, etnias, ironias, contradições e revelações.
Pertencemos a uma realidade mundana, tudo procede conforme a rotina se desenvolve.
Sentir a garoa fina de uma tarde de domingo pode acalmar o corpo e relaxar a mente, mas ao mesmo tempo pode trazer a notícia ruim de longe, nos angustiando e nos manipulando a fazer coisas fora do nosso próprio consentimento. Exercer a função de um relógio exige muito mais que simplesmente mostrar as horas, precisa também ter as melhores peças para que seu funcionamento caiba ao tempo e espaço corretos. Somos feito ponteiros de um velho achaque descomunal e irônico.
Das proezas humanitárias ao instinto animalesco existente no decorrer dessa estrada fúnebre, ouvimos muito a respeito do preço a se pagar pelos erros cometidos no passado, mas nada se compara a dor de um ente e nem a infelicidade de uma partida precoce. No ataque de uma doença habitual o estado febril é menos doloroso. É como um mal estar sem gravidade, uma proliferação rápida e indolor, mas ao mesmo tempo passageira.
Através dos julgamentos repentinos, adoecer por uma moléstia é corriqueiramente insano, lembrando que ao causar um grande e eterno aborrecimento na filia genealógica existirá o preço da Matemática do diabo a ser pago. Deus é justo e complexo demais para que o entendamos de forma a ressuscitar alguém. Estamos longe da perfeição e também merecemos pouco ou nada da deidade atmosférica que nos cobre e que rege a enorme gama de crentes e descrentes dentro dessa perversidade que é a existência.
Vida, morte, dor, riso, calor, frio... Sentir a queda babilônica de perto, soa muito menos letal que presenciar e viver a dor de outrem.
Deus pai, todo poderoso, criador do céu e da Terra, tende piedade de todos nós, alvos da legião angustiante que bate as asas quando a morte vem e dos filhos e filhas que personificam a verdadeira e real caixa de Pandora – O verdadeiro presente grego à humanidade.
Agora devo mergulhar na minha insanidade pessoal e marinhar até as águas mais obstantes desse eterno oceano de sonhos irreais e pesadelos decorrentes, apenas para poder dar a mim um minuto de paz e sossego. Esperando sempre o retorno daquilo que tenho feito sob a brisa da manhã, no sereno da noite e durante os raios de sol das Hespérides.
Hoje deixo meu adeus solene e sincero aos que se foram e um bem vindo aos que chegarem e peço aos que nos olham lá de cima que proteja e cure nossas dores e enfermidades em nome da força mais poderosa que existe entre nós – Deus.
Diante esse idoso e trincado espelho e dessas páginas metálicas, duradouras e submissas da eternidade rogo também à própria capacidade do ser humano em ater-se ao que nos é dado como forma de cura e de ponderação para que possamos um dia pelo menos, existir como um reflexo de bravura, heroísmo e compaixão para com a causa inanimada de tantas peças de um jogo de xadrez que termina nunca.
Nesse tabuleiro deliberar-se-á ao desejo súbito, obsoleto pela provação de tempos rasteiros e ingratos, permeando à sensibilidade e aos assuntos mais pecaminosos que nutrem um tabu oculto desde os primórdios das civilizações.
O momento da vitória é esperado, seja ele etéreo e ou com vivacidade o suficiente para clamar à vida com uma coroa de louro e uma taça de vinho, olhando ao redor e gritando ao inimigo com maestria – Xeque Mate, eu escolho viver..!


Por Mauri Zeurgo