Que sou eu *Mauri Zeügo*

Meus caminhos intermináveis trouxeram-me até aqui, meus dias de alegria, tristeza, risos e cara feia. Sou tudo e nada. Feito um gato vadio que de telhado em telhado sempre encontra um cesto quente com um novelo de lã ou linha velha que nos remetem aos dias da infância. Tão saudoso à família sou eu. Nos últimos anos tenho tentado ser mais homem e menos animal, raciocinar sempre ao invés de seguir instintos que provocariam uma guerra. Sou humano enfim, tenho meus anseios e desejos e com esses, posso ser o que eu quiser. Cada pessoa tem seus defeitos e qualidades, porém, são os pequenos detalhes que nos tornam cada vez mais especiais e únicos. Sou Mauri Eurico Santos Zeügo e este é meu mundo. Seja Bem Vindo!

Mauri (14.01.1999)

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Em memória da amiga e colega Lu (2017)


“Somos todos poeira de Deus, feitos a imagem e semelhança do homem para aqui nascer e crescer, viver e sonhar, amar e ser amado, viver e morrer...
Quando Ele te escolher, siga calmamente e em paz pelas veredas do amor incondicional e infindável de Deus. Pois isso não é um castigo, mas sim um presente por poder estar ao lado do Pai em campos verdejantes.
Hoje o dia obscuro e cinza trouxe os maus presságios na notícia triste que fez muitos desabarem aos prantos, fazendo alguns até emudecerem, ofuscando-se o brilho dos olhos com a dor da lágrima fria e cortante que cerra nossa íris.
Partiu cedo, nossa eterna líder, colega e amiga Lu. Uma pessoa de estima intransferível e única. Confesso que pouco a conheci, mas tive o prazer de fazê-la sorrir por minutos eternos e de dar-lhe um abraço como forma de firmar nossa rápida amizade que fora decidida por um simples piscar de olhos.
Deus não escolheu apenas uma líder ou colega de trabalho do grupo ou uma excelente profissional, mas sim um incrível ser humano.
Ela, a Lu fora em vida uma mãe de exemplo, pessoa carinhosa para com os seus e infinitamente ligada à família e aos amigos de verdade.
Deus direcionou à ela a tremenda responsabilidade de deixar a saudade eterna e dolorosa aos seus pequenos filhos que ainda nem entendem o teor da vida, mas que um dia olharão para trás e dirão que sua mãe valia ouro e ainda vale, pois ela estará sempre ao lado de quem verdadeiramente a amou, respeitou e a acompanhou nessa sua curta porém não menos importante jornada de vida.
Infelizmente, os dias são feitos de lágrimas, tristezas e infelicidades, mas também cabe em nossas vidas a alegria, o sorriso, a paz e o amor que rege nossos caminhos tão feitos de imperfeições, erros e acertos.
A vida é assim afinal, cheia de surpresas boas e ruins, mas ela segue com um turbilhão de emoções e razões para continuar a jornada.
Hoje estamos sem a Lu, mas tenho a certeza que a encontraremos linda e sorridente não hoje, nem amanhã, mas por dias infinitos em um novo amanhecer.
Lu, deveria ter aceito o convite do almoço, mas ainda banquetearemos juntos, eu, você, Esther e muitos outros numa linda e nova jornada do outro lado.
Lu, Descanse em paz...


Por: Mauri Zeurgo

Liturgia Humana – Ato III

A Entrega Ao Amor Eros -

Ao se falar de humanidade, somos apenas um corpo nu praticando sexo total, completo e libidinoso sob a luz neon das estrelas. E assim seguimos acreditando sermos a pausa complementar entre um soluçar e outro, gerindo a vontade de ressurgir como a fênix que morre nas chamas e renasce das cinzas mais forte, densa, vigorosa e viril.
Enquanto humanos andrógenos, pecadores e alternos, somos apenas porcos de uma vara herege e sugadora de desejos. Sendo assim, esperamos o momento oportunista e tentador da entrega.
Ato falho esse que se deve ao calor momentâneo pelos territórios baixos que nos dominam e nos deixam cegos e fora de si.
A realidade vem à tona no atual momento pois estamos despidos e somos ícones agora da centelha da vida. Somos formigas lançadas num monte de areia em meio ao alto mar, abandonados pela imensidão do oceano e assim perdemo-nos na luxúria irritante e prazerosa do corpo. Nossos olhos aos céus são nossos faróis erógenos que nos guiam ao fim sempre e também não.
E quanto a nossa humanidade, estamos longe de sermos simplesmente assim – ossos, carne, suor, lágrimas e gemidos sustenidos de emoção e prazer. Afinal, somos simplesmente anjos e esses mesmos não falam, não sofrem, não amam, não sorriem e muito menos se alinham, mas sabem sentir como nenhum outro ser. Sentimos calados a dor de outrem e nossa própria dor ilusória e recorrente da ilusão, da distância, do medo e da perda.
Assim somos nós, anjos falhos e sem lógica ou razão. Adentramos pelas janelas enigmáticas do espaço e nos refugiamos anos-luz da realidade incisiva, precoce e insinuante ao qual somos reféns num simples abraço, beijo e toque.
Fomos aprisionados à algo maravilhoso e útil aos sentimentos, afinal somos anjos, deuses, heróis, príncipes e animais pausando nossos relógios para a continuidade exata e correta que pertence à nós, tão somente à nós. Isso facilitaria muito nossa existência se nos entregássemos infinitas vezes ao amor Eros de forma única, simples e natural. Enfim, anjos existem, bons ou maus e estão em todos os lugares, mas poucos tomam por coragem de abandonar a sua humanidade e nos encarar frente-a-frente e dizer Eu Te Amo!
Obrigado por ser anjo em minha vida – S’agapo!

Liturgia Humana - Ato II

A quem devemos a solicitação humana de pecar em nossos atos sem a pena de jogar-nos ao abismo, se qualquer coisa é um pecado derradeiro aos olhos do Pai.
A necessidade sapiens do corpo que nos empurra desfiladeiro abaixo, faz-nos rogar ao grandioso e bom senhor Deus, implorando uma lasca de hóstia e um gole intrínseco do rubro vinho e tão sacro líquido divino. Purificando assim nosso espírito em pena e culpa.
Porém, para o nosso louvado Senhor, vivemos numa precária descontinuidade litúrgica e ministral onde os homens pecam na sua própria religiosidade e em sua saga de vida aqui na Terra.
As mãos divinas nos darão a resposta maior em corpo e também em espírito, seja ele santo ou pecador, seja ele odiado ou amado, seja ele puro ou indulgente com a cadeia de ordens e regras que deviam ser seguidas não como cristão ou como ser humano, mas sim como pai, amigo, irmão, marido e filho.
A ideologia hipócrita ao qual muitos fiéis seguem dentro da irmandade religiosa é pregar e seguir que devemos ser alienados à rotina incansável e falida dos tempos modernos, mas esquecem dos homens que matam, traem, humilham, roubam, estupram e também amam em paralelos mundos que vos enchem de alegria também, apesar de tais males.
A mente humana é permeada aos prazeres terrenos, sejam eles os sete pecados capitais e ou as pequenas volúpias invasivas que adentram nossa mente e demandam menores ligações com a realidade na vivência do ser, dominando nossos corpos e enchendo de prazer e luxúria nossa vida tão erma e distante.
Em momentos de provações e conturbações é nessa mais absoluta esquife de sentimentos tão assombrosos que colocamos perante o corpo sacro, feito esse leito vívido e eclesial nossos problemas e sentimentos ruins para que haja a solução unânime para que paremos de vez com a estapafúrdia que causa todo o nosso mal.
Mas é nesse ínterim que surgem os seus sorrisos, abraços e beijos tão sinceros e humanos e não tão pecaminosos assim. É nesse ímpeto que surge na ferida do coração a vontade de entrelaçar com as garras do amor majestoso de Deus minha veste mais pura, minha palavra mais doce, meus olhares mais sinceros e meu anseio em sempre querer te ver, tocar, olhar, amar e sentir.
Nossa humanidade nos tornou reféns de algo brilhante jamais ocultado pela raça humana – a paixão impetuosa dos olhos teus, o calor ardente do corpo meu e assim sendo um coração único, um amor ocultado pela realidade recíproca de nossa rotina pelos dias à fio.
O destino pode unir e agravar ainda mais essa relação tão doce e forte, com a poderosa unção de nossa fé, mas pode um dia também se esvair, desaparecendo tão solúvel feito águas rasas tomadas pela areia da praia no simples soluçar de um oceano de emoções.
Para Deus somos essa manada ágape substancial de seres e prazeres incompletos que se lança ao abismo para poder se encontrar com seu junco flexível e quinhoeiro que o alimentará de sabedoria e calor humano.
Tais razões me fazem voltar aqui para escrever sobre um homem, não um simples ser humano, mas sim um homem de fé, de amor à família e aos amigos. Um alguém que conseguiu cativar dentro de mim um amor diferente. Cultivando em meu jardim a oportunidade de ser alguém completo e feliz mesmo sendo dividido em uma faca de dois gumes. Mas sempre honesto, leal, sincero e carinhosamente humano.
“Sob a escuridão a qual vivi, você fez luz em minha vida. Trazendo-me para fora e fazendo-me enxergar as belezas do céu...”

Te amo e é impossível viver sem você


Mauri Zeurgo

Liturgia Humana - Ato I 'Anjo Da Guarda

A Incondicional Atração Do Amor Philos


Nesse ínterim oscilante de paixões, desastres interpessoais, vitórias e derrotas, veio à mim um anjo. Não somente para saciar meus desejos íntimos e carnais, mas para acalentar-me e proteger-me debaixo de suas asas dotadas de um poderio substancial e cognitivo.
A incondicional atração fora súbita e sublime, a espera fora outrora dolorosa para uma das partes, mas enfim eis que tornou-se realidade a irreal e incontestável leveza do ser, pelo simples olho-no-olho, o toque na barba, o cheiro do corpo e o gosto do beijo. Fato esse desencadeado por um turbilhão de emoções viris e humanas.
Passam-se as horas e tenho comigo a realidade unânime do pecado ocidental e do carma corrosivo que é levar os dias escondendo a verdade, omitindo a sinceridade e enganando um alguém que tem sido presente, único e leal aos apelos que tanto ecoaram pelas fronteiras inóspitas dessa longa jornada chamada vida.
Sou para ti o único amigo, um pequeno príncipe, o anjo da guarda ou simplesmente aquele alguém que esteve emborcado à espreita sempre te olhando de longe aos avessos, escondido por detrás das cortinas e portas, sempre imaginando como seria a vida se pudesse te tocar, te beijar, te amar e simplesmente te sentir. Fazendo jus ao ponto “g” da mente humana com tal intensidade que lavaria a alma por ter chegado ao ápice do mal noturno junto à ti ou simplesmente ao teu lado em sonhos.
O medo é a dúvida cruel do homem em falhar ao tentar desbravar novos mundos enquanto sofre a fúria da tempestade terrena a qual ele pertence. Mantendo-o em sua zona de conforto por receio de perder seus bens conquistados no diagrama de vivencia matematicamente calculados e friamente famigerados ao convívio letal no fim dessa estrada chamada liberdade.
Aqui estamos pela primeira vez como adultos conscientes da forma mais errada de viver às escondidas pelas extremidades contextuais e literais. Somos corpo afinal, uma mente, um coração, mas também somos suor fresco, olhares e beijos feito a lava de um vulcão que escorre pelos morros humanos, secando e virando magma que penetra ainda mais e impregna no antro da terra corporal, tornando-se apenas um corpo de soluções, dando um fim à explosão quente, excitante e belicosa.
Esse prazer intenso é a busca que chega ao fim, é carne que esquenta após o abate, são os beijos cada vez mais tendenciosos e molhados, é a excitação sublime e a transformação da Phoenix que morre em chamas e ressurge das cinzas removendo o véu da vergonha, atraindo-nos ao poço da saliência e jogando-nos contra os lençóis puramente preparados para a ejaculação precoce das palavras. Assim como sugeristes, temos uma pequena história, curta mas bela e unicamente ligada à nós. Somos dois perdidos num mundo de ideologias e abandonos, somos parte um do outro assim como unha e carne. Somos o amor “philos” eterno e único enquanto o tempo permitir.
 Te amo.


Por: Mauri Eurico Dos Santos (Zeurgo)