Que sou eu *Mauri Zeügo*

Meus caminhos intermináveis trouxeram-me até aqui, meus dias de alegria, tristeza, risos e cara feia. Sou tudo e nada. Feito um gato vadio que de telhado em telhado sempre encontra um cesto quente com um novelo de lã ou linha velha que nos remetem aos dias da infância. Tão saudoso à família sou eu. Nos últimos anos tenho tentado ser mais homem e menos animal, raciocinar sempre ao invés de seguir instintos que provocariam uma guerra. Sou humano enfim, tenho meus anseios e desejos e com esses, posso ser o que eu quiser. Cada pessoa tem seus defeitos e qualidades, porém, são os pequenos detalhes que nos tornam cada vez mais especiais e únicos. Sou Mauri Eurico Santos Zeügo e este é meu mundo. Seja Bem Vindo!

Mauri (14.01.1999)

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O homem de terno preto (14/09/10)

A volta pra casa fora constante. Após a excitação ter sido calada pelas mãos do jovem amante, a jornada tinha se tornado tão silenciosa e arrebatadora. O silencio que havia tomado conta do corredor do grande metal em oito rodas, sublimava ainda mais a freqüência entre as gotas do sereno na Serra e o suor frio dos poucos daquela viagem. Um deles, só pensava em voltar e contar às poucas pessoas de confiança sobre a primeira e grande viagem de toda a sua vida, o outro só queria se livrar daquele estranho tormento. Aos poucos, a sintonia entre os dois era favorecida apenas pelo encosto dos assentos que situavam bem próximos um do outro. Morro abaixo e ambos continuavam na frieza do ser e com o bater incessante dos corações, querendo pular pela boca e se livrar daquele grande mal. Para muitos, aquele bater no peito não era o coração dizendo o quanto um amava o outro, mas sim dizendo: “Por favor, liberte-me!”. Ao longo do caminho, seguiam as idéias malucas, seguidas da ideologia urbana e comensurada daquele tempo em que o namoro era a meta. Esse foi o engano que afogou o grande rio das emoções infantes, os “moleques” já eram homens ou quase isso e pouco sabiam sobre a inquietude da palavra amor. O muito e o tudo que sabiam era sobre a vida de cada qual -  Um viver urbano e um viver de tal grau lôbrego que encantava aos muitos. Pelo vidro embaçado, via-se a solitude por entre a névoa branca e os poucos seres que sumiam por estrada adentro. Quando enfim, surgiu a noite limpa e os resquícios dissiparam-se, desciam os dois jovens com poucas palavras e atordoados pelo som do “vento uivante” que adentrou pelas janelas por toda a viagem.
Poderiam depois, lembrar-se do mar, do ar da Serra, da orla calma e de todas as coisas boas que viram juntos, mas como aquele amor estava por se acabar, a única lembrança na caixinha de memórias fora apenas o homem do terno preto, à espera de sua viagem num ponto distante e utópico. E o fato mais estranho entre tantos – “Nenhum dos dois lembraram-se de o porquê estarem lá e nem o porquê de se aventurarem juntos naquela viagem sem volta e que jamais lhes dariam respostas...”

Mauri Zeügo

2 comentários:

  1. Iguaria incomum assim, nunca se encontra pela internet. Me add e a gente bate um papo.


    Lucas - Espirito Santo (Lucaspspr34@hotmail.com)

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  2. Maravilhoso, Mauri.
    Somos do Centro Espírita Kardecista e entendemos sua mensagem. Talvez, deva se deparar com um de novos especialista e profissionais espíritas. Assim, poderemos ajudar-te a aflorar ainda mais esse talento mediúnico.

    Centro Espírita Kardecista - Rio de Janeiro.

    Norma & Felipe

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