Que sou eu *Mauri Zeügo*

Meus caminhos intermináveis trouxeram-me até aqui, meus dias de alegria, tristeza, risos e cara feia. Sou tudo e nada. Feito um gato vadio que de telhado em telhado sempre encontra um cesto quente com um novelo de lã ou linha velha que nos remetem aos dias da infância. Tão saudoso à família sou eu. Nos últimos anos tenho tentado ser mais homem e menos animal, raciocinar sempre ao invés de seguir instintos que provocariam uma guerra. Sou humano enfim, tenho meus anseios e desejos e com esses, posso ser o que eu quiser. Cada pessoa tem seus defeitos e qualidades, porém, são os pequenos detalhes que nos tornam cada vez mais especiais e únicos. Sou Mauri Eurico Santos Zeügo e este é meu mundo. Seja Bem Vindo!

Mauri (14.01.1999)

terça-feira, 22 de março de 2011

Meus Pés (14/04/2011)


Quando os meus pés falarem, todos saberão por onde andei, o que fiz e sobre os mundos em que pisei. Porém, de antemão, saibam todos que a sensibilidade viva é sentida apenas por eles. Vive-se tanto a cada pisada leve na grama, cada forte “pisão” no concreto quente das grandes cidades e a cada pegada na areia, deixadas pra trás com todas aquelas boas e más lembranças. Com a ajuda dos meus pés, fui astro-rei, astronauta, lunático, sonhador, pequeno príncipe, grande poeta das línguas mortas, mendigo e até mesmo dono do mundo.
Ah, meus pés... Gosto tanto deles que sei de cada detalhe e marca entre meus dedos pequeninos e com formato arredondado - lembrando às vezes, pequenas bolinhas de gude cortadas ao meio. Recordo-me também, de cada boca onde ele esteve e de cada língua que não se conteve... Gosto dele limpo, sujo, seco, molhado, apenas gosto, simplesmente gosto. Quando meu passo é suave e silencioso, lembro-me de ser sempre um pássaro alçando vôos longínquos. Quando meu passo é bruto, lembro-me de ser sempre uma grande rocha fincada na terra. Ah, se eles falassem..! As pessoas saberiam tanto e tanto, a ponto de eu deixar de ser um segredo, mas enigma mesmo vem lá de baixo, onde estão os meus pés. Esses que suportam a massa corpórea minha e transliteram cada verso deixado por eles mesmos naquele grande livro que criei na minha imaginação, facilitando a compreensão de um todo.  Cá estão eles, subindo, descendo, indo, voltando - incansáveis guerreiros meus.
Já nem penso mais viver sem eles.  Idéias absurdas surgem sempre, pelo simples fato de amá-los tanto e tanto que a cabeça gira em torno tão somente deles. Vigiando a minha introspecção, meus pés estão sempre aqui, ali, lá, aculá, sempre em todo lugar. Se eles falassem, o mundo riria mais, crianças chorariam menos e a vida duraria uma eternidade. “Mas, pés não falam e a alusão caótica que faço a mim mesmo é um mero sonho que acaba nunca..!”

 Mauri Zeügo




7 comentários:

  1. Parabéns, Mauri. Meu nome é Eduardo Alfran Silva, sou professor da academia de letras da universidade do estado de Minas Gerais. Adoro a sensibilidade utilizada por você em seus textos. Você tem tato.

    Parabéns.

    ResponderExcluir
  2. Texto maravilhoso!

    Sinto-me privilegiado ao poder ler um conteúdo tão bem "grafado" em pela internet.

    "Viajo junto ao pensamento teu!"

    Ainda te amo, meu menino maluquinho!

    (OBS: Vê se me atende quando eu ligo)

    ResponderExcluir
  3. Lindo...escreve muito bem.
    Paulo Roberto - Santos

    ResponderExcluir
  4. Gosto muito desse texto. Deveria investir mais em seu conhecimento e cultura literária. Boa sorte.

    ResponderExcluir
  5. Trágico! Bom,é de fato curioso.
    É observação é tudo o que se precisa para se observar.

    Caso queira ver meu site: www.isnemo.webnode.com.br (Lucas Teles vulgo Nemo)

    ResponderExcluir
  6. Se deixasse, eu percorreria seu corpo todo e escreveria em ti, todo um poema seu, entitulado "Meus Pés"...

    ResponderExcluir