Que sou eu *Mauri Zeügo*

Meus caminhos intermináveis trouxeram-me até aqui, meus dias de alegria, tristeza, risos e cara feia. Sou tudo e nada. Feito um gato vadio que de telhado em telhado sempre encontra um cesto quente com um novelo de lã ou linha velha que nos remetem aos dias da infância. Tão saudoso à família sou eu. Nos últimos anos tenho tentado ser mais homem e menos animal, raciocinar sempre ao invés de seguir instintos que provocariam uma guerra. Sou humano enfim, tenho meus anseios e desejos e com esses, posso ser o que eu quiser. Cada pessoa tem seus defeitos e qualidades, porém, são os pequenos detalhes que nos tornam cada vez mais especiais e únicos. Sou Mauri Eurico Santos Zeügo e este é meu mundo. Seja Bem Vindo!

Mauri (14.01.1999)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Violinos Cansados (14/12/2010)


A primeira nota falsa fora desatenta, tratou a última canção com estranha rudeza e cansou os ouvidos ansiosos pelo som incessante das velhas cordas desafinadas e já quase tomadas pela ferrugem ociosa do tempo. O verdadeiro intento do artista veio com o grito matriarcal da madeira a ser serrada e não pelo obvio, ditado como regra em nossos livros de cabeceira e pautas solenes. Lá no fundo, bem lá no fundo de nós, ainda esconde-se a solidão errante, sempre à espreita, à espera do convite para o recital da vida – Uma homenagem que toca o melhor dos recitais, com aquele romantismo indagado e todo fresco.
Com o decorrer das horas, adianta-se o violinista, carregando e dominando o único instrumento que o faz perceber as grandes coisas e as miudezas do mundo, num simples movimento com sua varinha mágica. Esse artista segue atento desde o frêmito misterioso ao estalar dos dedos do grande maestro, regendo a orquestra majestosa e cheia de euforia.
Mas os dias gloriosos de outrora dão espaço ao mau agouro e a insanidade do homem, que com sua mente insana, faz as dívidas e pendura sempre naquela conta que acaba nunca!
Fazendo restar nos dias de hoje a face cansada, deslavada e cheia das rugas do tempo. Resta também o ombro largo que carrega toda a culpa e os defeitos das “cagadas” consumadas.
As antigas canções ecoadas pelos lustrados e brilhantes instrumentos, pertencem aos dias gloriosos de antes, mas que residem na pocilga humana de sempre. Durante essa grande confissão de palavras afogadas no ego nosso, somos levados ao derrubamento da trinca de arenque da vaidade e ao derramamento de sangue das relações frias da nossa carne – Um verdadeiro descarne humano, resultado do canibalismo suburbano.  Esse por sua vez, envenenado pela música ruim e fria que entoa pela extensa arena, a mesma que abriga os heróis e vilões de nossos contos e histórias, selando com um beijo amargo e suportando as dores, pela falta de talento dos falsos amores.
Ao fim de tudo, resta ao artista, voltar ao camarim atrás das cortinas, retirar as botas bem engraxadas, esfacelar-se de seu penteado pomposo e da maquiagem alva, despir-se em frente ao espelho que sempre mostra a verdade e abandonar seu velho amigo em meio ao pó.
Após sermos utilizados como adorno de vaidade e termos servido tão bem ao público indeciso, somos abandonados naquele antigo campo imaginário, criado como depósito das inutilidades: – Sonhos que não deram certo, desejos ruins, fantasias mal compreendidas e ilusões alheias.
Mas, somos feitos disso também - Matéria de carne, osso e espírito. Afinal, somos apenas velhos violinos cansados, emanando uma estranha canção no campo do lado de lá e com nossos sonhos, alegrias, tristezas, desejos e metas, que por segundos podem desaparecer pra sempre.

Mauri Zeügo


5 comentários:

  1. Uau! Simplesmente maravilhosa a forma como trata as palavras. Acredito que essa é uma das suas visões sobre a realidade que o cerca. Parece-me mais com uma descrição de um fato ocorrido contigo, mas, em forma de poesia. Parabéns!

    Sinto-me honrada em ler suas conexões filosóficas.


    Maria de Lourdes - Penha - SP

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  2. Muito bom seu texto
    Obrigado

    Marcos Villa

    Rio de Janeiro

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  3. Gostei..se for tão bonito e agradável quanto seus textos, caso contigo. Rsrsrs

    Robson PM

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  4. Entre em contato conosco - Queremos você.
    (Pessoal do Fórum Mais Poesia Brasil)

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