Que sou eu *Mauri Zeügo*

Meus caminhos intermináveis trouxeram-me até aqui, meus dias de alegria, tristeza, risos e cara feia. Sou tudo e nada. Feito um gato vadio que de telhado em telhado sempre encontra um cesto quente com um novelo de lã ou linha velha que nos remetem aos dias da infância. Tão saudoso à família sou eu. Nos últimos anos tenho tentado ser mais homem e menos animal, raciocinar sempre ao invés de seguir instintos que provocariam uma guerra. Sou humano enfim, tenho meus anseios e desejos e com esses, posso ser o que eu quiser. Cada pessoa tem seus defeitos e qualidades, porém, são os pequenos detalhes que nos tornam cada vez mais especiais e únicos. Sou Mauri Eurico Santos Zeügo e este é meu mundo. Seja Bem Vindo!

Mauri (14.01.1999)

sábado, 9 de julho de 2011

Sina de um Determinista (14/08/2011)

Os dias que se passaram, realmente não voltam mais ou da mesma forma. Porém, voltam esses com maior teor e emoção, com aquilo que sentimos e que sempre merece ser resgatado – O tempo que destrói e afasta, mas também une e constrói paixões ainda mais voluptuosas e cheias de desejo insano, profano, mundano, profundo e sincero.
Negligenciar e ou negar a existência de outrem a preço injusto é a real balela. As falas verbalizadas e ditas de forma verdadeira e constante são o pequeno ouro daqueles que ainda primam por serem únicos e leais à vida simples e fora da grande boca do lixo – o mundo lascivo.
Sentir pena de si mesmo é covardia dos tolos, dos injustos, daqueles que fingem o flagelo do corpo para tapear as feridas da alma. Todos nós temos anseios, desejos, neuras e maluquices, mas, quando tudo isso se torna visível aos olhos, as pessoas temem pelo desconhecido,  fogem e não querem ser mais encontradas.
A hora de rezar é essa, pois os pequenos fantasmas de nossas vidas surgem aqui e ali, feito um manifesto impiedoso de emoções raras e que nos remetem as lembranças da esquizofrenia nossa, feito um ligamento poderoso, desdobra nossa mente cheia de inquietações e dá-nos a realidade de forma distorcida, complementando sempre a existência encardida e vazia.
 Quanto ao desejo, ao toque, ao pranto e às angústias da espera, talvez devêssemos guardá-los todos na nossa caixinha secreta das nossas psicoses mundanas – Deixando sempre os delírios e as provocações contra a alma, diante desse impiedoso trono soberano que altera os contatos com a realidade nossa.
Quando as palavras se colocarem em prantos, sente-se ao lado delas e chore junto. Deixe que as lágrimas de ambos percorram rio abaixo, o mesmo rio que lava o corpo e purifica a alma.
Sentir-se-á vazio sempre, enquanto houver a dúvida em seus lábios e enquanto isso perdurar, nenhum desejo será igual aos de antes e toda essa incompletude tua só se perderá no tempo se manteres essa venda negra sob seus olhos, essa mesma que censura a real face da mão amiga, essa venda negra que recebe a foice que engana, fere, envenena e mata. Essa tarja negra rotulada como indecisão pelos que temem a verdade e que temem também à realidade crua e simples em que vivo, será apenas o começo do seu fim, se continuares dando “asas” aos que somente o vê como objeto de desejo voltado apenas ao sexo vazio, frio, irrustido e temperamental.
Tantos mosaicos existenciais concluem a vida de um homem e a sua se perde com somente aquele que menos importa a mim ou a qualquer outra pessoa comum e simples – O mosaico feito roda dos prazeres. Esse mesmo que só nos rouba o bom e nunca delata os infratores, deixando-nos sem atitude alguma e levando da gente a pouca dignidade que ainda resta.
Se assim quiseres, serei Ícaro insano, alçando vôos tão altos a ponto de completar a jornada, rumo ao sol escaldante e morrendo afogado antes do último prazer. Se quiseres, serei você, sendo Sísifo, levando a maior pedra rumo ao cume da mais alta montanha, fazendo-me penar por cada pecado prazeroso enquanto a mesma pedra desce rolando para que haja mais dor e sofrimento. Podendo assim, auxiliá-lo nas encostas da vida com suas grandes pedras e aliviando a cascas de suas grandes feridas que maltrataram tanto e tanto o coração teu.
Um nome é sempre um nome, porém, quando carregado de sentimentos profundos e verdadeiros será sempre lembrado. O mais difícil não é carregar uma grande pedra grafada com ele ou cortar a carne para extrair o nome do corpo, pois existem fatos mais dolorosos de lidar. A dificuldade maior está na extração das memórias e das lembranças, pois é lá onde meu nome se encontra nesse momento – silencioso, distante, enamorado pelo eco vazio e desvanecido pelas estradas sombrias e divergentes da existência crua, como um descarne profundo e agradável feito um sono injusto e ao mesmo tempo, atormentador.
Nesse momento, com as bênçãos da deusa Aurora, que faz brilhar as manhãs e com o consentimento dos atos nossos, somos levados inconscientemente ao dia do acordo final e como um sonho único e duradouro ouve-se Morpheu “– Façam dos meus sonhos os teus e vivam eternamente ao lado de quem realmente os ama, dando valor à sinceridade e ao amor mútuo. Vá acompanhado das Horas e das Graças que regem os atos puros, o tempo e a vida transviada que percorre na veia e no ego maltrapilho que reside em tua alma.”
Enquanto houver a dificuldade em lidar com sua própria língua determinista, deve-se afastar do mundo, aprendendo a dizer desculpas as almas, corpos e mentes afetadas pelo egoísmo.
Só assim, poderá carregar quantos nomes conseguir nas costas, feito a pedra de Sísifo, o mundo de Atlas, o drama de Electra e tantas outras sinas....

Mauri Zeurgo


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